Entre 5 de junho e 6 de agosto de 2026, usuários do Testar Minha Internet rodaram 12.859 testes de velocidade em conexões reais de todo o país. Esta página resume o que esses testes mostram: a mediana nacional de download ficou em 93,5 Mbps, o ping mediano em 39,8 ms — e a velocidade medida de madrugada chega a ser mais que o dobro da medida à noite.
Mediana = metade dos testes ficou abaixo desse valor. p90 = percentil 90 (os 10% melhores testes superam esse valor; no ping, os 10% piores). Upload calculado sobre os 6.686 testes que concluíram a fase de upload.
A distância entre a mediana (93,5 Mbps) e o percentil 90 (681,1 Mbps) conta uma história importante: o Brasil que aparece nos nossos testes é profundamente desigual. Uma parcela dos usuários já navega em planos de fibra de meio giga ou mais, enquanto o usuário típico — o da mediana — vive uma realidade cerca de sete vezes mais lenta. O ping mediano de 39,8 ms é adequado para videochamadas e jogos casuais, mas os 10% piores testes passam de 132 ms, faixa em que chamadas de vídeo travam e jogos online ficam impraticáveis.
A tabela abaixo mostra os 15 estados com maior volume de testes no período. Só publicamos recortes com pelo menos 30 testes.
Valores medianos. Upload sobre testes com fase de upload concluída. Ordenado por volume de testes.
Santa Catarina lidera com folga: mediana de 373,8 Mbps de download — 4 vezes a mediana nacional — refletindo a densidade de provedores regionais de fibra no estado. O Pará surpreende na segunda posição (285,6 Mbps), sinal de que a fibra avançou forte nos polos urbanos do Norte. São Paulo, dono de um terço de toda a amostra, combina 128,3 Mbps de mediana com o melhor ping do país (31 ms) — efeito da proximidade dos grandes data centers da capital paulista. Na outra ponta do top 15, o Ceará registra a menor mediana de download (53,5 Mbps) e um ping elevado de 72 ms.
Fora do top 15 de volume, dois extremos merecem registro: o Tocantins teve a menor mediana de download entre os estados com amostra válida (18,4 Mbps em 68 testes) e o Amazonas a maior latência mediana (162,6 ms em 102 testes) — consequência direta da distância física até os principais pontos de troca de tráfego do país.
Agrupamos os testes por faixa de horário (horário de Brasília) para medir o congestionamento das redes ao longo do dia.
O contraste é brutal: a mediana de download na madrugada (202,4 Mbps) é mais que o dobro da registrada à noite (90,9 Mbps) — uma queda de cerca de 55% justamente no horário em que todo mundo está em casa assistindo streaming. O ping acompanha: sobe de 31 ms na madrugada para 44 ms à noite. Manhã e tarde ficam no meio do caminho. A leitura prática: se a sua internet parece boa ao meio-dia e ruim às 21h, o problema provavelmente não está no seu roteador — está na rede do provedor congestionada no horário de pico.
* Agosto parcial: dados até 6 de agosto de 2026.
Em dois meses completos de coleta, o volume cresceu de 4.922 testes em junho para 5.940 em julho. A mediana de download oscilou (121,0 → 91,6 → 121,7 Mbps), mas com uma série tão curta essa variação reflete sobretudo quem testou em cada mês — julho atraiu mais usuários de conexões lentas — e não uma mudança real na infraestrutura do país. O ping mediano, mais estável por natureza, ficou praticamente cravado em 40 ms nos três meses, o que reforça essa leitura. Conforme a base crescer, esta série vai ganhar meses e virar um termômetro de tendência da internet brasileira.
Parte dos usuários informa a velocidade do plano contratado antes de testar. Considerando os 1.938 testes com plano informado entre 50 Mbps e 1 Gbps (valores fora dessa faixa foram descartados como implausíveis):
No teste mediano desse grupo, a velocidade medida foi de apenas 29,3% do plano contratado; 65,6% dos testes mediram menos da metade do plano e só 11,9% atingiram ou superaram 100%. Antes de culpar o provedor, um alerta honesto: esse número não significa que as operadoras entregam um terço do que vendem. Quem informa o plano e testa várias vezes é justamente quem está com problema — e a maioria testa no Wi-Fi, que raramente sustenta a velocidade total do plano. O que o dado mostra com segurança é o tamanho da frustração de quem chega à ferramenta: a distância entre o que se paga e o que se vê na tela é enorme. Para medir o plano de verdade, teste no cabo, não no Wi-Fi.
Sua internet entrega o que promete?
Faça parte da próxima edição destas estatísticas — o teste leva menos de 30 segundos.
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